A noite parece perdida. Sem rumo, sem vontades, sem destino. O vento traz-me um sussurro leve. As estrelas murmuram nos meus ouvidos. Os meus olhos fixam-se na imensa luz da lua. A única certeza que tenho, é que sou eu, eu mesma. Dizer-te que estou aqui, será suficiente?! Mais perto de mim, um desejo invade o meu pensamento."Felicidade". No meio das mtas faltas que se escondem em mim, sinto uma, aqui e agora. A tua...
O pano fino que percorre o meu corpo, parece que se desfaz. Frio. E se eu mudasse todas as minhas vontades, continuaria a ser, aquilo que sempre fui?! Perguntas... Sinto a brisa de um anoitecer rastejando pela janela. Passam automóveis, pessoas que caminham como que apressadamente. Um barulho silencioso não me deixa adormecer. Apaga-se a luz. O meu respirar surge calmamente, como se estivesse a nascer neste momento. Por uns largos minutos, a minha presença torna-se ausente... Adormeci a pensar nele.Vi-o logo de seguida. Sonho. Se eu soubesse que ele existia, talvez nunca teria acordado.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
domingo, 29 de abril de 2007
Silêncio
Já lá vão dois meses e três dias, desde a última vez que passei por cá.
Nos últimos tempos, tenho vivido experiências que me fizeram aprender, ver as coisas de outra maneira, mas acima de tudo, crescer. Confesso que, por vezes, vivo os dias como se fossem "mais um" a acrescentar a tantos outros. Acordo, levanto a rotina que fica debaixo da almofada enquanto durmo, e começo mais um dia, mais uma página para completar, mais experiências por viver, mais uns sorrisos para dar e muitos tantos rumos para escolher. E vivo mais umas longas horas, no meio de alguma agitação.
Um dia, num daqueles dias que o simples barulho de um abrir e fechar de portas me aborrece, quase como que prepositadamente, deparei-me com uma frase de Almada Negreiros: "Alimento-me do silêncio". A verdade, é que nos dias de hoje, não nos alimentamos desse silêncio, muito pelo contrário, fugimos dele. Quando muitas vezes estamos sozinhos em casa, ligamos a televisão, mesmo que nem estejemos a olhar para ela, mesmo que nem estejemos atentos; levamos a música atrás de nós, juntamente com os demais aparelhos, para qualquer espaço onde seja de prever que vai existir um "vazio"; se estamos cansados do dia sobrecarregado, com o estudo, os trabalhos, e aquelas coisinhas que ocupam-nos imenso tempo, encontramos o "descanço merecido" num bar, numa discoteca, num café, onde o silêncio torna-se escasso. É obvio que a companhia é importante, sobretudo quando se trata dos amigos ou de outrem que nos é especial. Mas muitas vezes chego à conclusão que necessitamos de viver, na azáfama do dia-a-dia, naquele "corre-corre", no meio do ruído, e precisamos da sensação de sermos as pessoas mais úteis, mais atarefadas do mundo. Pode ser importante, sem dúvida, mas não é imprescindível. Com tudo isto, esquecemo-nos rapidamente das palavras dirigidas, dos gestos mal pensados, dos sentimentos mal sentidos. Assusta-me saber, que muitos dos nossos princípios surgem em função do exterior (anúncios publicitários, aquilo que ouvimos, o que vemos...), e vivemos face ao que "está na moda". Hoje somos isto, amanhã somos aquilo.
Ao mesmo tempo que surge a "pressa", aparece também o silêncio, aquele que de vez em quando, pelo menos de vez em quando, devemos consultar para descobrirmos a nossa dimensão humana, aquilo que realmente somos. Por trás de tantas razões superficiais, que mesmo custando a acreditar, nem sempre são verdadeiras, como a falta de tempo, de sinceridade, de paciência, existe uma razão muito mais lógica: o medo da solidão.
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