terça-feira, 12 de junho de 2007

Ricardo

Muito recentemente festejamos o teu aniversário. No dia foi completamente impossível arranjar tempo para publicar este texto, por isso resolvi fazê-lo hoje, agora, até porque para falarmos/homenagearmos alguém não tem ou não deveria ter um dia definido. Cá vai... Já nos conhecemos há muito tempo, e apesar de entender que foste uma das melhores descobertas que aconteceram na minha vida, acho que não foi a duração desse tempo que nos ofereceu aquilo que nos mantém unidos até agora. Sentimentos. A "nossa história", deve ser das mais bonitas e comoventes que vivi e assisti até agora (provavelmente por ser a nossa), e mesmo tendo a consciência que não a proclamo tantas vezes quanto tu, acredita que será muito difícil apagá-la da memória.
Talvez pelas experiências que tive, não sei, acredito que aquilo que é importante na vida se vai perdendo com o decorrer da azáfama dos dias em que vivemos. Às vezes, queremos ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Na verdade, não somos, nem podemos ser. Comigo caminham todas as pessoas queridas que agora moram no céu, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas tinha a ilusão que tudo podia ser "meu" para sempre. Tu és daquelas pessoas que mais me fazia falta... nem consigo imaginar o que seria de mim se já não te tivesse ao meu lado. Talvez seja egoísmo da minha parte, talvez, mas de facto, tu és daqueles alicerces que me proporciona mais segurança, relativamente aquilo que eu sou. Seja como amigo, confidente, namorado, fazes a diferença por que nos momentos que eu mais preciso de ti, ou de um simples alguém, tu surges e estás presente, mesmo que às vezes chegues tarde, chegas sempre a tempo.
Obviamente, és um ser bastante complexo, com inúmeras qualidades, (tu sabes disso), mas ao mesmo tempo tenho dificuldade em defini-las porque ao contrário de muitas pessoas, tu demonstras aquilo que trazes de bom,nas mais minúsculas atitudes e comportamentos que nutres. E então, consegues surpreender-nos pela tua forma extraordinária de viver, e de te posicionares face ao mundo.Não vou citar essas qualidades, como costumo fazer, só espero que te canses de cultivá-las, e torná-las ainda mais perfeitas.
Tu, mais do que ninguém, sabes que às vezes se torna extremamente difícil escrever algo sobre ti, a agradecer-te, idolatrar-te ou por e simplesmente mostrar toda a admiração que sinto por ti, porque nessas alturas que era suposto eu abrir-me e deixar sair cá para fora aquilo que sinto, acontece precisamente o contrário, as palavras não saem, a voz cala-se, mesmo quando um simples "obrigado" seria suficiente. É um orgulho fazer parte da tua vida.
És uma pessoa única e muito especial.
Um beijo*
"A luz que acende o olhar,vem das estrelas no meu coração, vem de uma força que me fez assim, vem das palavras, lembranças e flores regadas em mim. O tempo pode mudar, a chuva lava o que já passou, resta somente o que eu já vivi, resta somente o que ainda sou. A luz que acende o olhar, vem pelos cantos da imaginação,vem por caminhos que eu nunca passei, como se a vida soubesse de sonhos, que eu nunca sonhei. Vem do infinito, da estrela cadente, do espelho, da alma, dos filhos da gente, de algum lugar, só para iluminar. Vem de onde eu venho de tudo que acende. A vida, calada, olha-me e entende o que eu sou, tudo que é maior vem do amor. A luz que acende o olhar vem dos romances que viram poesia, vem quando quer, se quiser, se vier, vem para acender e mostrar o amor que a gente não via. Vem como um passe de pura magia, como se eu visse e jurasse que há tempo já te conhecia,vem do infinito, da estrela cadente, do espelho, da alma, dos filhos da gente. A força vem de onde eu venho, de tudo que acende. A luz que acende o olhar, vem das histórias que me adormeciam, vem do que a gente não consegue ver, vem e acalma-me, traz-me e leva-me para perto de ti..."

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Ser Criança

A Criança é um pequeno e frágil ser. Quer ser feliz, descobrir o mundo em que se encontra e compreender o adulto. Compreender sobretudo, a forma como implora a paz, e, ao mesmo tempo, cria o desentendimento, a guerra.
Ser Criança é saber voar. Ter a liberdade, um sonho, uma nova esperança. Sorriem a toda a gente, não importa a raça ou a cor da pele. Para elas, não há distinção para quando se quer brincar, para um tempo de diversão.
O mundo é, talvez, de fantasia. Ontem fui boneca, hoje sou menina, amanhá serei uma mamã com muitos filhinhos para criar. Jogamos às escondidas, saltamos à macaca, fingimos ser um grupo musical bastante conhecido, e agora... sou uma professora, vou explicar-vos as diferentes profissões. "O que queres ser quando fores grande?" Bailarina? Pintora? Médica? Ou simplesmente sonhadora? ... Perguntem-lhes.
Vagueiam pelo "faz de conta", com um sorriso matreiro, que habitualmente só se encontra naqueles rostinhos pequenos. Riem, saltam, descobrem e aprendem, divertem-se com as coisas mais simples, mais insignificantes que possam existir. Ilustram os desejos, os medos, os sonhos menos bons, sempre com cor, muita cor. Sentem as coisas de uma forma diferente. Cada dia é um começo para se ser feliz, é uma sensação de alegria constante. Sem stress nem preocupações, afinal, ser criança é assim.

A essência deste dia não faria qualquer sentido, se não parássemos um bocadinho para reflectir, acerca daquilo que fomos. Eu recordo a minha infância, e no fundo, sinto imensas saudades desse "bom tempo", como eu costumo dizer. Sinto falta daquelas brincadeiras que tinha, dos imensos amigos que consegui fazer num instante, e tenho acima de tudo saudades daquele mundinho, da forma como eu sorria sem fazer qualquer tipo de esforço. Apenas sentia uma enorme alegria de viver, não havia regras, não havia a acumulação de stress que hoje há. Recordo-me perfeitamente da pergunta que me questionava a mim própria: "Quando chegará aquela fase que me falam? A fase em que eu serei mais independente e farei as minhas próprias escolhas, quando?" Hoje a pergunta inverte-se: "A partir de que momento, é que eu adquiri essa tal independência? A partir de que altura que os meus pais "deixaram de ser pais", pelo menos da forma como eram antes?"... Fico um pouco desanimada, ao saber que à medida que vamos crescendo e adquirindo o estatuto físico de 'mulher' ou de 'homem', as coisas modificam-se de uma maneira absurda, não só em relação aos pais, mas também em relação à nossa própria posição na sociedade. Com tudo isto, apenas queria dizer, que, dentro de nós, ainda existe a criança de há uns anos atrás, e é importante soltá-la cá para fora, pelo menos de vez em quando.

Sorriem muito, Brinquem bastante!

E se neste momento, me perguntassem: "O que queres ser quando fores grande?",eu responderia com uma certeza repentina: QUERO SER SEMPRE PEQUENINA...