segunda-feira, 2 de julho de 2007

Acordes da vida

Um dia, quero aprender os acordes da vida.
Existem dias,
que eu queria estar distante,
ir, apenas ao encontro daqueles que precisam
do meu abraço, das minhas palavras, do meu silêncio...
Outros dias, apenas quero ser,
com a vivacidade com que fui dotada,
voar entre notas musicais
e pousá-las num lugar que eu não sou encontrada.
Mas eu não sei tocar,
nem os acordes da vida afinar.
Fico, apenas fico,
à espera de nada e a pensar.
Tenho uma mão vazia e outra com coisa nenhuma.
Falta-me o acorde, a nota que escapa e quer brincar.
Mas eu não sei tocar,
nem os acordes da vida afinar.
Trespasso as cordas que me embalam,
Que me trazem o sol, a vida, a musicalidade,
Serei alguém, um dia, talvez amanhã,
Mas hoje não dá, não trago a vontade.
Eu admito o meu cansaço,
Mas não a desistência daquilo e de quem me faz feliz...
Apenas sinto um corpo fraquejado,
e uma alma que esperançosamente vive cada dia,
ora com a alegria de viver, ora com a melancolia.
Mas eu não sei tocar,
nem os acordes da vida afinar.
Sou resumidamente aquilo que muita gente é.
Sinto, falando ou escrevendo,
sempre com o intuito de uma abstracta expressão,
não daquilo que me constitui,
Mas do que tanta gente recebe a pontapé.
Pretendo o descanso, o dos guerreiros,
embrulhar-me no meu manto de sonhos,
e ultrapassar as adversidades da vida.
Adormecer e deixar-me resguardar,
num sono sem horas, nem ponteiros,
Sem pressas para acordar.
Amanhã o som de um abrir de olhos
Será naturalmente diferente.
Sem medo, e com a devida humildade
poderei aprender a tocar
E os acordes da vida afinar.