Existem dias,
que eu queria estar distante,
ir, apenas ao encontro daqueles que precisam
do meu abraço, das minhas palavras, do meu silêncio...
Outros dias, apenas quero ser,
com a vivacidade com que fui dotada,
voar entre notas musicais
e pousá-las num lugar que eu não sou encontrada.
Mas eu não sei tocar,
nem os acordes da vida afinar.
Fico, apenas fico,
à espera de nada e a pensar.
Tenho uma mão vazia e outra com coisa nenhuma.
Falta-me o acorde, a nota que escapa e quer brincar.
Mas eu não sei tocar,
nem os acordes da vida afinar.
Trespasso as cordas que me embalam,
Que me trazem o sol, a vida, a musicalidade,
Serei alguém, um dia, talvez amanhã,
Mas hoje não dá, não trago a vontade.
Eu admito o meu cansaço,
Mas não a desistência daquilo e de quem me faz feliz...
Apenas sinto um corpo fraquejado,
e uma alma que esperançosamente vive cada dia,
ora com a alegria de viver, ora com a melancolia.
Mas eu não sei tocar,
nem os acordes da vida afinar.
Sou resumidamente aquilo que muita gente é.
Sinto, falando ou escrevendo,
sempre com o intuito de uma abstracta expressão,
não daquilo que me constitui,
Mas do que tanta gente recebe a pontapé.
Pretendo o descanso, o dos guerreiros,
embrulhar-me no meu manto de sonhos,
e ultrapassar as adversidades da vida.
Adormecer e deixar-me resguardar,
num sono sem horas, nem ponteiros,
Sem pressas para acordar.
Amanhã o som de um abrir de olhos
Será naturalmente diferente.
Sem medo, e com a devida humildade
poderei aprender a tocar
E os acordes da vida afinar.

