Não sei se o faço por necessidade, mas mais uma vez, venho falar de ti. Como sabes, o meu aniversário foi bastante recente. Muito sinceramente, este ano não encontrei muitos motivos que me fizessem festejá-los, ao contrário do que tem acontecido. No entanto, cá em casa tiveram a brilhante ideia de me prepararem uma surpresa, que no fundo não foi surpresa, porque alguém se descaiu. Até foi bastante agradável, mas faltava alguém.
No passado Domingo a família reuniu-se, mais uma vez, para festejarmos o aniversário da Diana. Estava muita gente, tal como no ano passado, mas mais uma vez, faltava alguém. Eu tentei ao máximo estar ocupada com os preparativos, a brincar com a Diana e a conversar com quem lá estava. Inesperadamente, quando olhei para mim mesma, estava no preciso sítio onde te sentaste no ano passado. Tive um sintoma de fraqueza. Olhei para o céu, e fui dar uma volta.
Foi também nesse dia, no preciso dia que fazia três meses desde a última vez em que estive mais pertinho de ti, que a outra avó teve algo parecido ao que tu já tiveste, e foi para o hospital. Foi um grande susto, mas acho que já está a melhorar.
Não tem sido nada fácil. Cá em casa, ainda hoje é o dia que eu deixo a luz acesa como se estivesse alguém comigo, deixo a porta aberta com o intuito que entres novamente por ali, e também ainda são muitas as vezes que eu olho para trás com a esperança de te ver, tal como se ainda caminhasses atrás de mim. É horrível o vazio que sinto a seguir. Às vezes, tenho dificuldade em agarrar cada momentinho que tenho, a vida é tão efémera que eu tenho receio de me "dar", e de repente... "perder" aquilo que me faz tanta falta, as pessoas que eu mais amo. É sobretudo ao fim do dia, que eu descarrego a mágoa que fica retida num dia inteiro. E assim, nem sempre o sono chega no instante que deveria chegar. Viro-me, volto-me a virar, tentando abstrair-me do pensamento que deixa saudade, mas nem sempre tem resultado. Sem querer, as lágrimas vão-me escorrendo pelo rosto de uma maneira que eu não tenho tempo para evitá-las.
Dói-me profundamente, a frieza da pedra que te cobre, sinto-me como um cubo de gelo quando vou lá, tu sabes onde. De vez em quando, ainda me surge a ideia de que no dia seguinte estarei contigo, teremos aquelas conversas de quem já não se vê há muito tempo, e que tudo isto não passa de um pesadelo, de uma mentira que me contaram que ficou retida no meu inconsciente... Eu penso tanto em ti.
A verdade é que a vida não tem corrido assim tão mal, muito pelo contrário. Talvez graças a ti, não sei, sinto que tenho pessoas ao meu lado, que estarão dispostas a ajudar-me seja para o que fôr.Tu sabes, eu não tenho muitos amigos, mas os que tenho são muito bons! Tenho que confessar-te que nunca pensei que fosse tão forte como acho que tenho sido até agora, pelo menos aparentemente. Tento falar de ti, como se ainda estivesses connosco. Tento dizer o teu nome, da forma como dizia. Mas inevitavelmente, também há aqueles dias que estou completamente em baixo, tal como nestes últimos dias, apesar disso, tenho-me esforçado mesmo muito para que ninguém dê conta daquilo que estou a sentir.
Estarás sempre aqui, no meu coração.
Beijo
Andreia

2 comentários:
(faltaram-me as palavras.)
Um beijo Andreia!
A mim também me faltaram as palavras mas, estou a fazer um esforço. Já passei por isso que estás a passar com o meu avô e sei que é uma dor muita profunda. Demorei sete anos a recompor-me e foi o grupo de jovens que me pertiu reabiliar-me. A partir do momento em que entrei, consegui fazer em menos de três meses o que não tinha feito em quase sete anos. Demorei muito tempo mas, a culpa foi toda minha. É como já te disse: não o tempo que temos e sim o que fazemos com esse tempo. Tens que ser forte. Sei que é facil falar mas, é o que é. Coragem e paciência. Sei que és capaz.
Quanto a mim, espero ser um desses amigos de que falas e podes contar sempre comigo. És muito especial Andreia e é muito bom ter amigos como tu. Obrigado por tudo.
Bejinhos.
P.S.: Pode ser que ainda venhas a ter vontade de festejar.
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